Com Biden, a Aliança Atlântica encontrará um novo impulso

Na política externa, uma das repercussões mais significativas da derrota eleitoral de Trump será o possível renascimento da Aliança Atlântica, como ferramenta redescoberta da política ocidental. A atitude do presidente eleito Biden é certamente de natureza oposta à de seu antecessor, porém algumas críticas que Trump fez aos seus parceiros europeus permanecerão atuais, especialmente sobre a natureza dos investimentos financeiros em armamentos. Se o pedido da medida de dois por cento do produto interno bruto parece ser confirmado pelo novo inquilino da Casa Branca, pelo menos nas intenções, será interessante ver como será avaliada também a destinação das despesas: Trump tinha o objetivo de fortalecer o A indústria americana, aquele equipamento e a decisão europeia de financiar a sua própria indústria de armamento, ainda que ainda dentro do perímetro da Aliança Atlântica, tiveram de ser fortemente contestada pelos Estados Unidos no seu papel de maior acionista da organização. Por outro lado, a vontade de Trump de se desligar da Aliança Atlântica, o que provavelmente nunca teria sido concedido pelo Congresso americano, favoreceu o nascimento de uma discussão dentro dos estados da União Europeia, para a criação de uma força armada comum: um instrumento essencial para a prática da própria política externa e preparatório para uma união política mais rigorosa. Certamente a intenção não era sair da Aliança Atlântica, mas um sujeito de tal peso teria ou terá a possibilidade de exercer outro peso político na relação com Washington. Essa determinação não deve falhar nem mesmo com a presença de Biden no cargo de presidente dos EUA, mas, ao contrário, sua melhor disposição e maior tato político devem ser explorados para começar a repensar a Aliança Atlântica no contexto de estruturas geopolíticas profundamente alteradas, que Trump substancialmente não levou em consideração. A reconciliação da União Europeia com os Estados Unidos pode passar de um papel diferente da Aliança Atlântica, já não funcional aos interesses dos EUA, mas como garante dos valores ocidentais nos teatros já presentes e que surgirão dos confrontos globais. Por enquanto, porém, é preciso se preparar para os possíveis danos que Trump vai querer deixar para colocar a organização em dificuldades, a começar pelo desejo de retirar soldados americanos de cenários essenciais para a segurança mundial, como o Afeganistão; os dias que permanecem com o presidente cessante podem ser usados ​​para colocar a Aliança Atlântica em séria desvantagem e com a necessidade futura de recomeçar de um ponto mais difícil para a reconstrução. Passando para os casos específicos mais relevantes, será interessante ver como se configurará a relação com a China, que se apresenta cada vez mais como principal oponente, também pelos enormes investimentos em armamentos, mas como concorrente global na indústria e tecnologia. Se no que diz respeito aos Estados Unidos a política de duro confronto com Pequim não deve sofrer mudanças substanciais, para uma Aliança Atlântica revista e corrigida, poderiam ser criados espaços para amortecer os embates a nível diplomático, graças a um possível maior peso da Europa. Isso não significa abdicar das necessidades ocidentais, mas apenas criar a possibilidade de uma abordagem diferente. Outro caso que deve ser tratado com urgência é o papel da Turquia dentro da aliança: Ancara optou por uma política que não cumpria os acordos transatlânticos, firmando acordos de fornecimento de armas da Rússia; um fator que não pode ser separado da política externa da Turquia conduzida em conflito aberto com os interesses americanos e europeus. A atitude que será mantida com Ancara marcará uma linha de conduta que deve então ser mantida de forma coerente nas relações entre os membros. Por fim, o prazo, 5 de fevereiro, do tratado de limitação de ogivas nucleares de 2010, assinado com a Rússia, representa uma necessidade urgente que não pode ser adiada, inclusive pela disposição do presidente russo em renovar, o que poderia abrir caminho para um novo tipo de relações com Moscou. A necessidade de um maior uso da diplomacia parece ser partilhada pelo novo presidente e pelos membros europeus, esta abordagem será essencial para abordar as situações de crise de uma forma mais fundamentada, sem no entanto renunciar à necessidade de supervisão e ações onde será necessária a sua manutenção. de paz e da proteção dos interesses ocidentais.